VAMOS FALAR SOBRE A VIDA?
A questão da espiritualidade, o que promove saúde, onde encontramos internamente as forças de sustentação da coragem ou as forças que desenvolvem a resistência?
Este trabalho está alinhado com uma nova linha que pesquisa as forças de sustentação da saúde física e psíquica do indivíduo conhecida como Salutogênese
Salus salutis do latim significa saúde
Gênese – do grego significa origem
Esta abordagem foi iniciada por Aaron Antonoksky (1923-1994) em Israel.
Quando desenvolvia critérios para avaliar a saúde de um grupo de pessoas ele descobriu que entre os mais saudáveis estavam sobreviventes do Holocausto e surgiu nele a pergunta : porque pessoas mesmo em situação de extrema demanda conseguem se manter com o espírito alerta, a alma motivada, conseguem se recuperar rapidamente dos embates e sustentam o stress?
A pesquisa de Aaron Antonovsky saiu do campo acadêmico e está encontrando enorme aceitação nos âmbitos espiritual, político, social e econômico.
No projeto “Vamos falar sobre a vida” este primeiro módulo é dedicado a olhar para si, tomando como ponto de partida a pergunta.
Que caminho eu percorri até o momento atual em relação ao meu desenvolvimento? O que eu consegui transformar e o que ficou estagnado?
A biografia ou escrita da vida nos mostra nossa origem, nossos valores, princípios, a educação que recebemos e como tudo isto se reflete nos nossos padrões de comportamento, nas nossas capacidades e nos nossos anseios.
Partindo das leis que regem a biografia humana escolhemos o espelhamento dos 21 anos para fazer este reconhecimento de si.
Carl Gustav Jung chama de individuação este período que começa nos 21 anos (marco do início da conquista do lugar no mundo) e vai até a maturidade da personalidade aos 42 anos.
Entramos por nossa conta e risco no mundo, as experiências do mundo vão se transformando em conteúdo interno próprio. Durante o processo vai ocorrendo uma síntese da herança dos valores do passado com a aquisição de valores próprios desenvolvidos na luta pela vida.Durante todo este percurso as questões de auto desenvolvimento estão sempre presentes. No final deste processo, que tem um marco inicial mas que do ponto de vista pessoal não tem hora para acabar pode-se dizer: Eu sou este!
Nesta trajetória que vai dos 21 aos 42 anos quando o movimento de auto desenvolvimento não flui por iniciativa própria as mudanças com certeza vem ao encontro do indivíduo de fora: coisas acontecem no âmbito da saúde, da profissão, da família que trazem uma tônica diferente que exigem adaptações, correções de rota.
Por volta dos 40 anos algumas das motivações que carregaram a pessoa na conquista do lugar no mundo e que eram as estrelas brilhantes no horizonte da sua vida começam a perder intensidade: reconhecimento, poder, status, prestígio, bem estar material, bem estar familiar, satisfações imediatas dos desejos, compensações pessoais, etc.
Alguns pontos foram alcançados, outros ultrapassados, outros ainda permanecem para serem atingidos, e outros se mostram inatingíveis porque ela se deparou com alguns limites próprios.
A vida começa aos quarenta – a crise da meia idade – são temas do inconsciente popular. Os 40 anos, um dos marcos do desenvolvimento biográfico – traz questões novas e a etapa que começa corresponde aproximadamente pelo menos a um terço da vida. A crise da meia idade ganha outro nome no trabalho biográfico: chama-se “crise de autenticidade”.
Autenticidade significa:Genuíno, próprio,
O sentimento da crise de autenticidade foi bem descrita por Drumond no poema:
E agora José? Voltar para Minas? Mas Minas acabou….
Perguntas do tipo:
É este o estilo de vida que quero para mim ?
Era esta a família que eu sonhei para mim? É esta a mulher/homem da minha vida? É esta a posição profissional que eu almejei?
A sensação geral é de que o chão que antes sustentava o indivíduo já não parece tão firme.
E esta sensação não necessariamente traz ansiedade e angustia; ela pode ser tb. estimulante paa o desenvolvimento pessoal.
No trabalho biográfico o marco dos 21 anos corresponde a um segundo nascimento só que diferente do nascimento físico é o desabrochar de uma consciência de si na vida anímica própria.
De um lado do nascimento até os 21 anos – temos a etapa do desenvolvimento físico : a autoridade é externa e é expressa pelas influências da hereditariedade (constituição), dos valores e normas familiares, do meio ambiente, dos valores da comunidade. Podemos considerar também as intenções pré-natais – pré-disposições, talentos, qualidades natas e tendências à imperfeições que trazemos conosco. É a etapa pedagógica da vida onde ainda estamos sujeitos ás influências da educação e dos estímulos que recebemos.
Do outro lado de 21 até 42 anos – temos a etapa do amadurecimento psíquico –
a autoridade é interna e é expressa pela auto educação através da qual construímos a vida interna própria através da qual podemos desenvolver plenamente e em liberdade no mundo o impulso individual que trouxemos para esta vida, a minha marca pessoal, a tarefa pessoal.
Estas duas etapas podem ser divididas em fases (setênios)
0 -7 Infância 35-42 Maturidade (Autoconsciência)
7 -14 Puberdade 28-35 Adulto (Razão)
14-21 Adolescência 21-28Juventude (Sensação)
Começamos com a pergunta:
Quais são as condições para o desenvolvimento saudável na primeira etapa e como estas condições se refletem na etapa posterior.
Primeiro espelho: Adolescência versus Juventude
A adolescência começa com um sentimento vago de que as coisas já não são como eram antes. Até por volta de 14 anos a gente se sentia parte de alguma forma da família, da turma da rua, do pessoal do bairro ou da galera da escola… eu era filho de fulano de tal, pertencia a tal família…
De repente sem saber quando começou vem aquela sensação esquisita de separação: sou mas não sou… ainda não sei quem eu vou ser mas sei com certeza que eu não quero ser igual ao meu pai ou a minha mãe – que eu sou diferente. Que o meu casamento não vai ser como o dos meus pais, que a minha carreira vai ter um rumo diferente, etc.
Muitas vezes esta separação ocorreu de fato: intercâmbio cultural por exemplo; ou mudança de escola, ou mudança de bairro, de cidade…
a vida sentimental do adolescente vive nos opostos:
os sentimentos oscilam entre simpatias (gosto) e antipatias (não gosto);
entre ser aberto, extrovertido e social ou fechado introspectivo e antisocial,
a vida emocional é frágil (ninguém pode saber o que eu sinto); dependente (ídolos, amigos, turma que confere identidade), e foge para zonas de conforto ou gozo lúdico da existência (jogos e vícios)
a consciência do adolescente é do tipo instintiva: ligada às necessidades físicas: defender meu território (quarto/livro/computador); competir para provar que sou o melhor; autonomia (ninguém manda em mim, eu não pedi para nascer); usa de artimanhas para conseguir o que quer, bateu/levou, ataque/defesa .
São os hormônios, dizem… ou a aborrescência como dizem outros…
Em termos do desenvolvimento físico é o amadurecimento do sistema urogenital que faz aflorar os instintos físicos na vida interna dando a tônica dos sentimentos e orientando a vontade na satisfação imediata das necessidades e dos desejos.
É o animalesco em nós diz a religião; somos um animal superior diz a psicologia comportamental.
Contrapondo-se a estes impulsos que vindo do corpo afloram na alma temos os impulsos que vem da consciência em formação, podemos chamá-los de anseios:
vou estruturar melhor a minha família; vou trabalhar em algo que tem a ver comigo; vou me dedicar a algum trabalho que agregue valor à vida; vou lutar pelas injustiças sociais; etc. Na adolescência cada um de nós tem sua própria imagem de como o mundo deveria ser mas com certeza o que todos temos em comum é que este deveria ser um mundo melhor;
O que educa nesta fase da adolescência?
Um sólido conhecimento científico por exemplo é educador nesta fase porque torna o mundo real; medir, quantificar, associar, olhar os fatos; tudo precisa ser autêntico e tudo o que é ensinado deveria ser relacionado com os grandes processos evolutivos da vida: a alma adolescente precisa perceber o espírito que vive em tudo; precisa desenvolver ideais.
O segundo potencial educador da adolescência são as oportunidades de participar de experiências, projetos onde o seu anseio possa ser vivenciado na prática, onde ele possa exercitar a sua qualidade pessoal e torná-la uma qualidade de liderança. No anseio vive a vocação. O meio ambiente deveria proporcionar oportunidades para o adolescente fazer a ponte entre o seu anseio e a realidade porque isto lhe dará a capacidade de formar idéias a respeito das coisas e uma compreensão mais ampla dos fenômenos do mundo:
Como a adolescência se reflete na juventude?
Os 21 anos é o marco do nascimento do Eu . Enquanto a consciência do tipo instintiva tem relação com o que aflora dos processos corpóreos e se direciona para atender as necessidades não só do corpo mas do mundo ao redor, a consciência de Eu é do tipo superior e se conecta com a esfera mais elevada da vida anímica: com os anseios que direcionam o jovem para o mundo.
A consciência de Eu ela é do tipo faraônico, na juventude temos a impressão que descendemos dos deuses, sentimos a força do divino, da amplidão da vida, a juventude tem asas.
Quando o Eu não encontra esta acolhida na vida anímica do jovem (quando ela foi limitada) a força do interesse pelo mundo torna-se fraca e então temos o jovem que logo se acomoda em uma rotina; que se torna conformista; que tem tendências à auto-indulgência; que se desconecta da realidade
Quando o Eu não consegue se interiorizar a alma é arrastada pelas forças do meio ambiente perpetuando a adolescência e o jovem continua a ser direcionado pelos instintos se perdendo na experimentação e não conseguindo encontrar os meios para consolidar a vida. Temos então aquele jovem que troca constantemente de trabalho, de mulher, de lugar, de profissão.
O que contribui para uma juventude saudável são os ideais (sonhos) da adolescência que vão se refletir em programas de estudos, viagens, autonomia financeira, casamento; profissão; carreira. São os ideais que na juventude fazem o céu parecer ser o único limite, a vontade ser capaz de remover até montanhas e a vida ter um significado tão grande.
Segundo espelho: Puberdade e da vida adulta – alma da razão.
A puberdade começa na troca dos dentes; porque este é o sinal que o corpo transmite de que as forças vitais estão liberadas do processo do crescimento para o aprendizado intelectual.
A criança está na Escola; já atravessou a rua, já ampliou o seu mundo.
Do ponto de vista anímico de início todos são mariazinhas e joazinhos com medo da bruxa que os quer comer (a bruxa nos contos de fadas representam as resistências que a criança encontra). Na escola, aos poucos o Coelhinho da Páscoa e o Papai Noel vão ficando para trás com a fantasia da infância.
A formação de juízo se dá aos poucos : vai do aprendizado da soma para o da equação
As regras e valores estabelecidos desde cedo pela família orientam para o que é certo e para o que é errado. O que educa nesta fase além das normas e valores é a presença no meio ambiente de uma autoridade amada, de alguém a quem seadmire, de alguém a quem se reverencie.
O sistema que está amadurecendo é o rítmico: regulariza-se a respiração em relação com os batimentos cardíacos e a vida de sentimentos é ainda mais básica do que na adolescência;
Os sentimentos fluem para o mundo no pulsar do coração e pulmão. Temos uma vida anímica intensamente subjetiva: a relação com tudo é principalmente através do que se sinte. Por exemplo: só se aprende matemática se se gosta do professor!
E isto vale para todas as matérias.
Outro potencial educador portanto é um ensino criativo, humanizado – não é hora de aprendizado técnico. O professor é aquele que traz o conhecimento e portanto o mundo para a sala de aula.
É só com o Rubicão aos 9 anos que o púbere acorda para a percepção de si mesmo no mundo, geralmente com uma vivência de sofrimento: ele/ela descobre que ou é gorda, ou é narigudo, ou é dentuça, ou é pobre e assim por diante.
Ele/ela descubre a discriminação que se estabelece entre si e o mundo.
E aprende a se virar, a se defender, a dar as suas cotoveladas nos jogos, a levar a bola pra casa, etc.
Como esta fase se espelha na vida adulta?
Os 28 anos é chamado de ponto de hypomóchlio:
Do grego hypo:inferior móchlio: alavanca
Os 28 anos é o momento em que o Eu (que se fez presente nos 21 anos) adentra ainda mais na vida interna e começa a alavancar a vida. É a fase em que precisa-se de coragem de iniciativa e forças criativas para consolidar não só o mundo externo mas também o mundo interior.
Consolidar o mundo externo significa a expansão do conhecimento técnico adquirido na faculdade, a escalada profissional, a aquisição de patrimônio; a expansão familiar. É a razão consolidando o mundo externo: o que precisa ser feito, relacionar as coisas entre si, tirar conclusões, estabelecer estratégias e metas a serem alcançadas.
Consolidar o mundo interno é se apropriar das normas e valores que foram recebidos na puberdade os quais precisam não só serem apropriados mas alguns deles precisam ser transformados. Do contrário eles permanecem como padrões de atitudes que são recorrentes e que não contribuem para o desenvolvimento pessoal. Nos processos de desenvolvimento os padrões recorrentes são chamados de distúrbios de comportamento. Na psiquiatria estes padrões recorrentes são chamados de neuroses.
E onde vamos buscar coragem e iniciativa para consolidar o lugar no mundo e ao mesmo tempo fazer as transformações de comportamento que precisam ser feitas?
A resposta é: dentro de si, onde a influência da antiga autoridade amada externa da puberdade pode ser apreendida agora como autoridade interna. Esta influência é uma contínua fonte de verdade. Não se consegue enganar a si mesmo! E a mesma objetividade que se aplica no mundo pode ser aplicada em si.
É surpreendente descobrir esta associação da razão com a índole ou seja com o que flui do mais íntimo o que vale dizer com o amor que recebemos na fase inicial do aprendizado intelectual.
Na fase adulta a nossa qualidade pessoal expressa os nossos valores mais profundos que fluem para o mundo como habilidades para com o social.
A pessoa que não foi educada através de normas de comportamento e de valores e que não teve a influência de uma autoridade amada pode tornar-se nesta fase extremamente egoísta e passar de trator por cima de todos. Falta-lhe o juízo, uma instância dentro de si acima dos interesses materiais imediatos.
Ou por outro lado pode lhe faltar iniciativa e coragem de se afirmar com todo o seu potencial no mundo porque carece de firmeza interior.
Terceiro espelho: A Infância e fase da Autoconsciência
Nascemos totalmente desamparados, totalmente dependentes e indefesos.
Não só de cuidados, de alguém que alimente, limpe o bumbum, mas precisamos ser carregados no colo, aquecidos, aconchegados – nascemos chorando, gritando por amor. E de amor do tipo incondicional o que significa dedicação por inteiro..
Aos poucos vamos dando conta de viver nesta terra dura, mas divertida.
As necessidades só aumentam, precisamos agora de proteção, de limites, da estrutura e da rotina que um lar oferece.
A infância é a fase onde por um lado desenvolvemos o sistema nervoso central, temos que sustentar a cabeça em cima dos ombros e temos que fazer conquistas muitos grandes tais como andar, falar e pensar precisamos para isto de muito apoio. E como a vida em volta é muito animada precisamos de um ambiente alegre e espaço para brincar e para desenvolver a constituição física.
O que principalmente precisamos na infância são:
Cuidados, Amor, proteção, ritmo, alegria e espaço
Estas condições estruturam a constituição física de um indivíduo e esta é a base da sua saúde anímica e espiritual.
Como se reflete a Infância na fase da autoconsciência?
Na fase do desenvolvimento da autoconsciência o nosso Eu adentrou totalmente a nossa vida interna o que nos dá uma enorme autonomia de pensar, sentir e querer. Somos uma personalidade, com experiência própria, diferenciados, humanizados.
Não sou uma pedra, nem uma planta nem um animal: eu sou um ser consciente de si mesmo. Sou capaz de direcionar minhas forças anímicas para o auto conhecimento e desenvolvimento próprio assim como os talentos, as capacidades, as qualidades que eu trouxe e que adquiri podem ser conscientemente direcionados para ampliar o conhecimento e participar do desenvolvimento do mundo externo. Posso agregar valor próprio ao mundo.
As minhas forças anímicas regidas pelo Eu se direcionam para dentro da substância, da alma e do espírito do mundo.
A distância entre eu e o mundo se acentuou porque eu me tornei um mundo a parte. Muitos sentimentos de isolamento, de abandono se originam deste passo no desenvolvimento pessoal.
Como trazer para a vida atual os cuidados, amor, proteção, ritmo, confiança, alegria, espaço e liberdade que foram as fontes de sustentação da saúde na infância?
Em relação a isto as perguntas de Aaron Antonovsky ao desenvolver o conceito da Salutogênesis foram bem específicas:
Porque eu pego gripe e o cara do meu lado não?
Porque em condições adversas a pessoa do meu lado consegue manter o equilíbrio e eu não?
Segundo a salutogênese:
No campo físico as fontes de saúde estão:
Encontrar os próprios limites
1- O que na infância era a convivência com os limites que criavam um campo de proteção transforma-se na vida adulta na capacidade de conscientizar-se dos próprios limites e das reais possibilidades. Só reconhecendo os limites é possível ampliá-los. Conviver com limites tem a ver com ir de encontro a uma identidade própria. Diante de um impedimento posso reconhecer: isto é um fato, posso aceitá-lo e conviver com ele. Aceitar os fatos não significa fugir das coisas que você pode transformar A aceitação de limites é uma das modalidades de aquisição de consciência.Encontrar os próprios limites é igual a autoconhecimento real – verdadeiro e desta forma não só se evita o stress mas se adquire a capacidade de suportá-lo. Todo organismo sadio tem em alto grau a capacidade de adaptar-se.
Diante do que lhe é estranho, do que se opõe a si, ele pode se confrontar e se fortalecer neste confronto conseguindo intensificar a suas próprias defesas, adquirir forças de resistência e recuperar o equilíbrio perdido.
2- Buscar proteção e apoio
Os cuidados físicos que nainfância eram a base de sustentação da criança na fase adulta se transformam nas forças de retaguarda do adulto.
Procurar segurança física tais como ter um lar, ter alguma reserva financeira, ter previdência, sentir-se amparado por recursos materiais, significa desenvolver sustentação nas próprias forças. A pessoa que sente que tem este tipo de retaguarda adquire um nível básico de estabilidade emocional que consegue fazer frente às situações adversas.
No campo anímico as fontes de saúde no campo anímico estão:
1-O que na infância era o aconchego do colo, o acolhimento, o calor , transformam-se na vida adulta em confiança na relação humana.
Isto significa conseguir se sentir amparado pelo afeto do seu círculo de relação.
Pessoas que passaram por condições extremas de vida contam como conseguiriam superar a situação pela ligação com amigos, parentes, etc. Quando se dispões de um network de relações verdadeiras a vida vale a pena ser vivida, apesar dos pesadelos.
2- O que na infância eram a alegria e o entusiasmo do brincar transformam-se na vida adulta em criatividade e vida cheia de significado e responsabilidade.
Fortalecer a consciência de que você está inserido dentro de um contexto universal, é parte de um todo em evolução, tudo pode ser compreendido e alcançado tudo está em sintonia, tudo faz sentido . O mundo estruturado dentro de uma ordem e consistência e não aleatório e imprevisível . O que você faz não pode estar desarticulado do que você sente e do que voce quer.
O individualista amoral é aquele que não se responsabiliza pelas conseqüências dos seus atos. Isto é reflexo da educação intelectual precoce na infância quando a criança aprende coisas que não encontram correspondência no seu cotidiano (devido a ansiedade dos pais) – e não o que é melhor para elas.
No campo do Eu, da Consciência as fontes de sustentação da saúde estão:
1-O que na infância era a vivência de se sentir envolvido por forças de amor transforma-se na vida adulta na crença em uma esfera superior da vida, na fé em um Deus, no me sentir protegido por algo que está além de mim e das minhas forças.
Ligar-se ao plano espiritual é uma das mais poderosas fontes de saúde porque significa que você se alinha internamente com a sua própria entidade eterna e isto desenvolve a confiança na continuidade e no sentido mais profundo da sua vida.
2-O que na infância era a vivência de um ritmo, de uma rotina estruturada desenvolve-se na idade adulta em coerência de vida, a capacidade de estabelecer relações conscientes entre tudo o que ocorre .
Isto faz entender as demandas – compreensão mais profunda do porque está acontecendo assim (mesmo eu estando no lugar da vítima) e evita a psicologia do bode expiatório – onde se perde muito tempo com os jogos das sombras.
O individualista moralista é reflexo de uma educação que obscureceu a sua individualidade; embora o moralismo leve ao desenvolvimento de certas qualidades (a pessoa certinha) o indivíduo não amadurece e sempre olha de baixo para cima para as autoridades e espera que alguém lhe diga o que é certo e o que é errado.Carece de livre arbítrio.
3-O que na infância foram todas as condições que proporcionaram uma constituição saudável transformam-se na vida adulta em forças de resistência.
O que caracteriza a nossa época é a iniciação ao mal; aAntes o mal era excluído: estava no preto; ou no pobre; ou no inferior
Hoje você abre o jornal da manhã e vê estampada ou a raiva, ou a mágoa que você está carregando mas às últimas conseqüências.
Este é o drama da autoconsciência – tudo tem relação comigo.
Podemos nos proteger do mal com leis humanas – a justiça romana.
Mas só nos resta combater o mal combatendo o mal internamente
Isto significa se alinhar com o bem. Cada ação benéfica repõe no mundo o bem que o mal eliminou. O individualista ético segue as diretrizes do seu próprio ser que se desenvolve ancorado em um trabalho de auto conhecimento e auto desenvolvimento.
Palestra de Edna Andrade
Rio, 23 de março de 2007